segunda-feira, 1 de abril de 2013

Os direitos do pão (Karina Gera)




foto: internet

Fui aprender a fazer pão. Separei todos os ingredientes, coloquei em um recipiente e mãos a obra para sovar.
A massa ficou encorpada e na hora que fui assar, levei um susto, a massa soltou um grito:
“- Alto lá! Eu preciso descansar".
Ainda branca de farinha e pálida pela surpresa, perguntei o por que ela precisava de descanso?
Irritada, retrucou:
- “Acordo todos os dias cedo, dou duro o dia inteiro, aguento os maus tratos do padeiro, como o pão que o diabo amassou neste emprego e não vejo a cor do dinheiro".

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Plástico (Karina Gera)




Tenho a sensação de que a primavera não veio, as flores que ganhei eram de plástico e o perfume que eu desejei não pude sentir. Plástico! É a sensação que tenho das pessoas hoje, autômatas, inexpressivas , incapazes de exalar perfume algum. Quanto tempo dura uma flor de plástico? Espero que não seja até a próxima primavera.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Meias verdades (Karina Gera)





Eu cubro a mesa com um tecido meio transparente, meio reluzente, encobrir deixa tudo arrumado, coloco adornos escolhidos a dedo e tudo fica perfeitamente alocado.
Beleza! Procuramos mascarar o feio, o que nos incomoda, o que não nos atrai. Curta ou corte! Plástica é bom de mais! Maquiagem, photoshop, meia calça e meias verdades.
Espetáculo! O véu esticado fez uma mesa velha servir um jantar perfeito: comida boa, bebida gelada, papo agradável e sobremesa. Por favor, o café eu quero bem amargo, que é para eu voltar para a realidade.

sábado, 13 de outubro de 2012

terça-feira, 11 de setembro de 2012

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Um texto do Blog de Marla Queiroz sobre o plágio


"Quando alguém se apropria de um texto sem dar os créditos ao autor, essa pessoa se apropria de um momento, de uma história que a inspirou, da oscilação dos sentimentos, de trocas íntimas.Ela se apropria de uma transa, de um abraço, de uma vitória, de uma dor, de uma cura e de horas que foram dedicadas à elaboração daquilo. Ela se apropria de uma lembrança, de uma saudade, de uma angústia, de uma solidão, de um talento. Ela se apropria de algo que pode exemplificar exatamente o que ela queria dizer, mas que teria dito de outra forma.Ela não escreve uma história, ela escreve uma farsa.

Por mais que um texto meu pareça fluido ou que eu tenha “facilidade” em escrever, este é um ato solitário e de muita entrega. As palavras são temperamentais e, muitas vezes, arredias. Seduzi-las será sempre um desafio. Compartilhar um texto é um ato de generosidade, porque se compartilha, antes de tudo, uma nudez. E é essa honestidade que tantas vezes desanuvia o coração de alguém que descobriu que não está passando pela mesma situação sozinho. Compartilhar é uma forma de dar calor, de segurar a mão, de fazer um afago, de pedir colo. Por mais simples que seja um texto, ele sempre é fruto de muita leitura, estudo, autoconhecimento, conversa, observação e trabalho. Por isso, o autor merece respeito e consideração. Talvez algumas pessoas não saibam, mas textos são como filhos que a gente solta no mundo, mas todos eles têm uma certidão de nascimento, uma identidade, uma digital.E serão reconhecidos mesmo que desfigurados, porque têm DNA.

Marla de Queiroz