terça-feira, 20 de abril de 2010

Sem cor (Karina Gera)

Olhava insistentemente na mesma direção, um pobre cão, magrelo, sem cor, não se podia dizer que era marrom, nem que era caramelo, era um tom assim meio amarelo, mas pobre cachorrinho, nem cor tinha o bichinho. Esperava por um dono, abandonado de baixo de uma marquise, com frio, fome e sem nome, arriscou correr atrás de um homem que cantava. Na primeira tentativa levou um ponta pé e uma “rosnada”. Revoltado e desanimado, voltou para marquise meio desconfiado. Ajeitou seu traseiro em cima do cimento, passou horas ao relento, ninguém parou. Ao amanhecer, viu um sol diferente, seu brilho era mais reluzente, o que lhe deu coragem para mudar. Levantou e nem se espreguiçou, tinha pressa de uma nova jornada começar. Olhou para o horizonte atento, sacudiu seu pelo pulguento e partiu sem para trás olhar.
O cão sem cor nunca mais foi visto naquela vizinhança, porque após aquele dia, o brilho da esperança o transformou no cão mais colorido do mundo.

passante

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Pintando orelhões






Leve a alegria para onde for.

Um brinde!

Francesinha (Karina Gera)

Pele alva e delicada, traços sutis em um rosto afinado. Sorriso de Brigitte Bardot, nariz lapidado. Cabelo Chanel, aroma de perfume sofisticado. Roupas invejadas, corpo esquálido em cima de sapatos elevados. Andar elegante, beleza admirável, voz sussurrante, idioma complicado. Merci beaucoup au revoir.

Vida horizontal (Karina Gera)


Caminhei por uma estrada igual, reta. Passo a passo vi as mesmas folhas que caíram ontem. O vento que tocou o meu rosto não foi mais o mesmo, este já deve estar longe permitindo que outras pessoas tenham a mesma sensação de prazer, de vida.
Minha alma depende deste corpo para se mover, apesar de que muitas vezes meus pensamentos a levam para longe de mim.
Este paralelo entre o fazer e o querer conflitam-se diariamente, mas somente quando deixo meus sentimentos vagarem com o vento, posso afirmar que enxergo um horizonte infindável a ser percorrido.