segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Menino Maluquinho (Karina Gera)

Na infância eu tinha um amigo muito maluquinho, ele dizia que “ Todo lado tem seu lado, eu sou meu próprio lado, e posso viver do lado,do seu lado, que era meu”.


Como eram doces suas palavras, que além de encher a panela de idéias, também enchia minha vida de invenções. Travessura é o sobrenome deste protagonista, que sempre com rosto de menino fazia molecagens e tirava nota dez nesta matéria.

Diversão, risadas e muita traquinagem fizeram que eu guardasse as lembranças deste amigo sapeca no fundo do coração. Hoje me lembrei de seu sorriso maroto, alguns anos se passaram, mas no meu álbum de recordações ele continua um menino, e pude matar minha saudade da turma toda: Julieta, Bocão, Carol, Lúcio, Shirley Valéria, Junim, Sugiro Fernando, Herman, Nina, Maurílio, Tatiane e do paizão Ziraldo.

Descobri que o tempo não passou para este menino, e que suas histórias malucas continuam com sabor de infância e mesmo que passem muitos anos, vou continuar vê-lo com os olhos de menina maluquinha.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pequeno jardim (Karina Gera)

Os pássaros gostam do meu jardim. Cultivo rosa, árvores frutíferas, árvores exóticas, pingos de ouro e alguns jasmins.

Os pássaros gostam do meu jardim. Todos os dias as maritacas devoram minhas jabuticabas e em troca cantam para mim.

Os pássaros gostam do meu jardim. Fazem ninhos nos meus pinheiros e levantam vôo como querubins.

Os pássaros gostam do meu jardim. Polinizam minhas flores e perpetuam este espetáculo sem fim.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cada semente tem um nome ( Karina Gera)

Quadro que pintei para questionar a vida? Nós escolhemos o nome de nossos filhos, escolhemos a escola, escolhemos as roupas, mas a cor dos olhos, a cor da pele, o tipo de cabelo e qual caminho eles vão escolher, isso é um mistério da vida.

Quanta serpentina (Karina Gera)

Serpentina é um castiçal de três braços que se costuma acender no sábado de aleluia; esta palavra também nomeia um duto de metal espiralado; também é fitilho de papel enrolado para atirar para o alto em datas comemorativas; é nome de planta medicinal;  é denominação aplicada a um grupo de silicatos hidratados de magnésio e ferro; é uma comida africana que leva ingredientes estranhos (estrume de vaca e coco ralado); é o dia que os indios denominam de caça as cobras, para matá-las e comê-las cruas; e é também uma espécie de cobra.  E eu que pensava que a serpentina só aparecia no Carnaval, levei um bote.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Trânsito (Karina Gera)

Paz interior, dia ensolarado, assumir o volante deixa o sujeito transtornado. Os carros não têm freio, se entrar na frente passam em cima. Buzina é sinal de intimidação, motorista armado saca um dos dedos da mão com cara de terrorista e faz toda aquela encenação. Meu fígado podia já ter se acostumado, tanto estresse e condutores folgados. Irritam-se profundamente com o sinal fechado, quando estão dirigindo, seguem um só lema: Estou passando, cuidado!

Sinal amarelo não é mais pise no freio, mas pise no acelerador, porque os carros estão com os freios quebrados.

Faixa de pedestre é uma gozação. Quando um idoso atravessa com seu guarda-chuva na mão, tem que correr ou voltar para a calçada, os motoristas não sabem dar a vez, só pensam na pressa, quanta insensatez.

Xingamento no trânsito é melodia, toca funk, sertanejo e MPB misturados ao hit dos palavrões de quinta categoria. E assim o tempo lindo fica nublado, um desrespeito as leis de trânsito por causa dos condutores mal educados.

Alguns têm tanta pressa que chegam no céu mais rápido.